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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Coleccionismo

                Coleccções há de mais ou menos valor, valor sentimental ou meramente material, de raridade ou vulgaridades, catalogadas pelos seus coleccionadores orgulhosos do bem em vários itens que possui. 
             Foi coisa para a qual a minha vocação nunca desperou, de tempos a tempos sou capaz de "coleccionar" um número de itens de tal artigo, e como gaja que sou, estou claramente a falar de ganchos de cabelo, lenços, e outras (f)utilidades do universo feminino (solteiro), mas não por muito tempo. E tal acontece em tão curto espaço de tempo, dado que chega a uma altura em que começo a achar ridiculo.
                 Com todo o respeito por quem o faz, sejemos razoaveis: qual é o interesse de coleccionar pacotes de açucar (do café expresso), caricas, embalagens de perfume vazias, ou posters? Uma colecção de arte, moedas fará mais sentido, a meu entender, agora calendários??? Por favor!!! As moedas terão um retorno de todo o tempo de catalogação, manutenção e armazenagem, agora calendários, caricas (?) de que servem?
               Assistimos em muitos filmes das Américas ao facto de se coleccionarem "basebol cards" que mediante o seu grau de raridade valem fortunas, estes países bebés têm de ter alguma coisa para se sentirem "grandes", não têm História, têm desporto. Enfim..
              Quero que fique claro aqui, que caso me queriam incluir no vosso testamento, por favor não me deixem a vossa coleção de coisas ás quais, vocês sabem,que eu não vou dar importancia alguma e o seu ultimo destino será a reciclagem...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Frases sem nexo

     Já se aperceberam que há um sem fim de frases a que de modo geral todos recorremos, ou ouvimos. É minha crença, daquelas crenças que fazemos bandeira, estandarte se quiserem chamar, que o são para pessoas que não querem pensar.
  •        "Oh valha-me Deus", já dizia Marx que Deus é o ópio do povo; e explicado assim até faz mais sentido, como o mundo anda "Oh valha-me a droga" , e agora nem isso, com a quantidade de antrax que vem misturada com substâncias ilícitas reportadas nos últimos tempos, dá que pensar, que nem nos vale a droga, é que uma pessoa já nem no seu dealer pode confiar, onde o mundo vai parar??
  •        "Para mim basta-me um Amor e uma cabana", com o avançar da crise tem mesmo de bastar, mas se pensarmos na quantidade de mulheres que se divorciam alegando que ele não trabalha, ganho mais dinheiro do que ele, ele não quer fazer nenhum, a coisa toca de outra maneira. Já o reverso, homem em relação á mulher não acontece, por que Deus quer que á mulher seja mais perdoável ela não fazer nenhum desde que trate da casa, da roupinha do marido e dos filhos.
  •       "É o país que temos" cliché parvo, o país que temos é o reflexo do que somos, o país somos nós.
  •       "A culpa é do Sócrates" bem esta frase banalizou-se na imprensa, mas a sua banalização é possível porque mais uma vez ninguém se importa de medir factos, ver o que realmente tem uma relação causa-efeito. E como já estou farta destas histórias contra o primeiro-ministro vou fazer uma filmagem de perfil a falar bem do senhor, pode ser que cole, já que na TVI passava uma gravação, a pretexto do caso Freeport um desconhecido de perfil a difamar o PM.
  •        "Podia ter sido pior" Podia ter ficado paraplégico, mas não só amputou uma perna. Podia ter ficado sem testículos, mas ficou só estéril. Podia ter morrido na miséria, mas estava num lar. Podia ser ladrão mas é só paneleiro. A teoria do "Podia ser pior" é como uma subteoria do "Se..." E com tanto "Podia ser pior" e com tantas premissas tão descabidas já não sei se é uma visão optimista ou pessimista das coisas, por enquanto penso que seja apenas parva.
  •         "Teve muita sorte" este frase faz-se acompanhar da anterior. Tenho vontade de me rir ao visualizar alguém numa cama de hospital todo partido com gesso até aos olhos, do género múmia e aparecer alguém a dizer "Teve muita sorte podia ter morrido".
  •         "'ta um Sol que não se pode" ou " Ai que nunca mais chega o Inverno"  a medida do que define o que é o bom tempo fascina-me pelo desconhecimento, o que é o bom tempo, é que se está sol, ninguém trabalha alegando o "abafamento" (lol), e se chove está frio, e o cinzento é muito deprimente.
Pensem antes de abrir a boca, só vos fica bem.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Carnaval

            Mais uma festividade, mais um motivo para não trabalhar ou trabalhar a meio gás, mais um motivo para gastar dinheiro... Não gosto do Carnaval, para além das muito faladas brasileirices, que serve  m de fundamento para o ódio partilhado por alguns, do ridiculamente frescas que sao as vestimentas que as nossas crianças usam e mesmo alguns de nós... Bem se houvesse um Grinche do Carnaval seria eu, melhor o Grinche está para o Natal como eu para o Carnaval.
          Mas passo a revelar o por quê do meu ódio de estimação: nos primórdios da minha (ainda curta) existência, tive um tio meu que por piada me assustou bastante nesta quadra festiva com uma máscara de lobisomem, eu chorei de medo, só chorei não fiz nada de menos próprio. O trauma foi tão grande que até hoje nunca mais me mascarei.
          As pessoas no Carnaval  fazem coisas despropositadas, dão-se a actos pouco compreensíveis, agarram-se de maneiras esquisitas, grunhem, bebem demais, simplesmente HORRÍVEL!!! A minha rica mãezinha alinha nesta festividade entusiasticamente, mas num entusiasmo digno de criança que veste pela primeira vez o seu fato carnavalesco. E a par dela hás uma infinidade de pessoas que o celebram não só na data mas no ano inteiro, vejam o Alberto João Jardim a falar de assertividade politica em relação ao Sócrates, aquilo sim uma boa piada de Carnaval.
          Na sexta-feira passada houve um desfile de crianças do infantário e o animo não era muito, e o Mário só queria dormir, foi um cenário divertido, só para mim, a ouvir a música do país irmão com o tempo de um país nórdico, com um namorado a pagejar com um individuo do país vizinho. A Globalização numa manhã de sexta-feira.
         Este ano estou a tentar reconciliar-me com o Carnaval vou apenas pintar a cara de prateado e fazer os símbolos dos naipes de cartas. As fotos serão postas num post posterior.


P.S.- A lembrar que o meu relacionamento de 4 anos com o meu fofinho vai bem de saúde e que o post anterior não passou de uma brincadeira.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ódios de estimação

            Hoje, como um grito do Ipiranga se tratasse, cá estou a denunciar os meus ódios de estimação, daqueles que gostamos de vestir o rótulo, como por exemplo, eu odeio plástico (o que é mentira, é mais uma relação antagónica de amor e ódio). O ódio de estimação é um culto, quase uma arte de angariar fundamentos para que o mesmo seja socialmente aceitável.
           Tenho de esclarecer, antes de mais que não sou uma pessoa recalcada, não vivo o fervor de apoiar ou desmoralizar nenhum club de futebol, não sou declaradamente partidária, tenho as minhas convicções, vivo como penso ser correcto mas não ando a fazer das minhas ideias bandeira em demonstrações públicas de ódio/ afecto, ou em discussões calorosas. Também não sou uma coisinha amorfa sem reacção, sou mais do género vive e deixa viver. Cada um que pense por si, mas se é para terem comentários que não aceitam a diferença: CALEM-SE.
           Deparo-me que os meus ódios sociais abrangem sempre os que prejudicam os outros (isto parece um mero cinismo do politicamente correcto, mas é verdade), vejamos: eu não gosto de vendedores ambulantes, penso que comprei raras vezes em feiras (pares de meias??), não compro coisas contrafeitas ( e por favor, não mas dêem) , e apesar de não ser financeiramente muito abonada não compro coisas que considero estarem subvalorizadas, até porque depois desconfio da sua qualidade, e isso exclui como é óbvio as típicas lojas do chinês.
          Também tenho uma aversão carinhosa por aquelas pessoas que estão tão importadas com o estado menos favorável das coisas mas que em nada contribuem para a sua melhoria e com sorte ate atrapalham, vejamos, pessoas que falam da crise eloquentemente e depois fogem dos impostos, comprar sem qualquer consciência, consomem desnecessariamente,... Os meus favoritos ainda conseguem ser os falsos ambientalistas, gente que fala das alterações do clima, e que daqui por amanhã vamos todos estar extintos, e depois não reciclam, vestem roupa que não sabem a sua origem nem a politica de tratamento de resíduos das fábricas de onde vem, adoram coisas importadas...
         Não partilho de nenhum fervor por personalidade alguma, não sou "inimiga de culto", "desmoralizadora social" de nenhum Castelo Branco, Cristiano Ronaldo, Pinto da Costa, e demais conhecidos. O que fazem é puro show off, marketing pessoal, o saber vender-se da maneira que nos fique a todos na memória quer pela positiva, quer pela negativa.
       No que toca a características pessoais, desgosto das que vejo mais de perto, as que os nossos amigos têm mesmo que nós gostemos muito deles. Eu não gosto do mal dizer, só por dizer, dizer mal de quem já não se vai por defender e não há qualquer propósito em ofende-los. Resumindo qualquer acção que não surta qualquer tipo de contributo palpável, e isso não inclui o interesse pessoal.
       Odeio os vícios dos outros, alcool, drogas, jogo, coleccionar coisas (que considero um pouco redutor da condição humana, a menos que se coleccione itens de real valor), da Internet, compras, comida, sexo,...

Libertador dizer eu não gosto, eu odeio

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Falsa Legitimidade

            Actualmente, e com a quantidade e (pouca) qualidade de informação que corre em frente dos nossos pouco selectivos olhos, todos vamos tendo uma opinião sobre o que pensamos dos mais diversos assuntos, mesmo que sejam assuntos tão ridículos como o que as vedetas ou pseudo vedetas levam vestido na noite dos globo de ouro, passando pelo livro "Caim" do Saramago (que eu aposto que nem metade dos que falam do livro, o leram de facto). 

(Eu tenho o "Caim", aliás foi o meu pai que o comprou, e o livro lá anda por casa basicamente pela polémica que andava pelas bocas dos comentadores de canais generalistas, rádios, e jornais, mas lê-lo ainda ninguém o leio)

           Falta alguma credibilidade aos comentadores que nos entram em casa, seja por via audiovisual, que pela imprensa escrita (confesso que não sou muito adepta de rádio). Lembro-me aqui há uns tempos quando Cristiano Ronaldo foi transferido para o Real Madrid, acontecimento esse que ocupou tempo de antena á SIC generalista, o jornalista perguntava a um profissional de marketing se era possível mensurar o valor da marca Cristiano Ronaldo, ao que este responde de maneira pouco conclusiva, e remetendo para o facto de que já existia um sistema operativo que o faz, ora isto para o telespectador mais atento traduz-se em, resumidamente, nada.
           Há conversas de café (como esta que tenho com os meus leitores) em que quase tudo é permitido, pelo facto de que dou opiniões ligeiras do que me vai interessando, tendo em conta que sou mais uma a opinar. Mas penso que as pessoas que tem mais alguma visibilidade no panorama social, deviam redimir-se á sua área, a factos que realmente dominam, a abrir a boca só quando têm certeza sobre o que estão a dizer.
           A legitimidade do que dizemos está no que sabemos, no que somos pessoal ou profissionalmente. Não podemos ser todos economistas, assistentes sociais, (falsos) ecologistas, júris dos ídolos (lol), críticos literários, linguistas, etc.
          A vida dá-nos a nossa verdadeira legitimidade, para cuidar dos nossos interesses políticos e sociais, e intervimos quando é legitimo faze-lo, assim como o modo de legitimar a nossa indignação, o nosso contentamento. A vida é muito mais rica do que qualquer lei ou norma de operar com os nossos demais semelhantes, mas as mesmas também já estão mais de acordo com o que somos do que aqui há uns tempos atrás.

Por isso meus caros falem quando precisem, do que realmente interessa e da maneira que todos os que podem fazer alguma coisa por vós oiçam.