domingo, 14 de fevereiro de 2010

Carta de desamor

             Querido ex-namorado escroque,  
venho por este meio reivindicar o meu tempo perdido contigo, anos a tratar das tuas coisas com se minhas fossem. Muita roupa posta a lavar, cuidado com os prazos de tua competência, relo pelos teus níveis de colesterol, ouvir as tuas frustrações, partilha do meu espaço. Se há expressão que te assenta como uma luva, é o que os americanos usam: "you don't have boyfriend material".
Sempre esperei que o bom senso batesse á porta e visses que o que fazes comigo é um abuso da minha confiança, e um atentado á minha paciência e inteligência, que confesso ter andado um pouco á deriva. A tua má educação envergonha-me, a tua maneira de estar repulsa-me, a tua falta de cultura desperta uma tristeza com a raça humana que nem imaginas.
Sinto-me desmoralizada comigo mesma com o meu fraco discernimento a escolher namorados. Mas nem tudo foi mau, agora que vejo o propósito de entrares na minha vida, sim foi bom ter um objecto sexual, vibradores são frios, os dildos passivos. Chega a ser impressionante a tua inutilidade em todas as outras áreas, não sabes cozinhar, não és romântico, chegas a ser arrogante no meio da tua ignorância, falta-te iniciativa para tudo. 
Assim espero que percebas que o inevitável aconteceu, ruptura de laços afectivos e principalmente materiais, devolve-me as minhas coisas.
Diz-me alguma vez te passou pela cabeça que isto era para durar?
A minha auto-estima leva-me a ver que mereço melhor, sem que isso me faça cair no cliché ridículo a que tal está associado. E já há dois ou três em vista para te substituir, e não penses que vou cair no mesmo erro.
Sem mais adeus e fica bem.

14 de Fevereiro de 2010

p.s.- já andaste com a testa enfeitada, seu machão nortenho.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Anúncio

             Neste Dia de São Valentim vai ser publicada uma carta de desamor ao meu namorado, nada do que escreverei corresponderá á realidade, como se de uma lavagem de roupa suja se tratasse.
É mais uma vingança pessoal a esta festividade pop-culture que só sabemos que temos de comprar coisas e actuar romanticamente com o nosso par, por todos os dias dos namorados que passei sozinha a assistir á felicidade dos outros.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

(Passatempo)

(É verdade, a história repete, entediada pela transmissão do Ídolos, e pelo entusiasmo dos meus pais a assistir, continuei a especular sobre os "preconceitos" ou qualquer coisa que se assemelhe a isso).


            Para os mais atentos ao espólio cultural que o mundo ocidental nos deixa enquanto legado (factos que nem sempre nos orgulhamos) a novidade é pouca, já para não dizer nenhuma.
            Já algum neonazi nacional leu a Mein Kampf? Eles têm a noção do que a teoria hitleriana destinava aos latinos (eles sabem que somos latinos, certo?) ?Eu digo: escravizar-nos, assim como qualquer individuo negro. Então potenciais nazis anacrónicos ainda desejam ser arianos?

            Não passam de anormais sem respeito por nada nem ninguém, que a sociedade deve ar espaço para que se manifestem com algum á-vontade, para poder ver até onde vão os seus delírios, e reprimir quando a sua loucura for longe de mais. Que tipo de gente é esta?

           Há uns anos lembro-me de miúdos de pouca idade (note-se que poderia dizer tenra, mas não há nada de tenro nesta gente selvagem) terem espancado um individuo no Porto pelo mesmo ser travesti; e mesmo em Londres, um caso que ficou mundialmente conhecido, de Sophie Lancaster que fora brutalmente espancada, deixando-a em coma, acabando por morrer por ser gótica. Não há vergonha neles em tais actos? Não vergonha em nós por serem de alguma maneira nossos?
Mas deixemos-nos de acontecimentos tão brutais...

            Em tempos, quando ansiosamente pesquisava sobre tudo o que seria vegano, rumo a uma vida isenta de sacrifício animal para a minha vivência precariamnete terrestre, num site (que não divulgo por não ter pedido autorização a tal entidade para o referir) estava postado um artigo que divagava sobre o amor vegano. Isto do amor vegano consistia na união amorosa de pessoas que partilhava da mesma convicção, dado que o contacto com os restantes (devoradores de carne) seria como o contacto com proteína animal.

            Ora uma orientação que se intitula de espiritualmente superior, com uma consciência á frente do seu tempo, e que não prevê o amor pelo ser diferente, ao qual não lhe incomoda a morte de vidas animais para a sua alimentação., é algo incoerente. A minha opção de comer vegetais, não tem de ser reportada para os que me rodeiam, já tentei alertar outros para o consumo de produtos testados em animais, e nem isso consegui suscitar algum interesse naquilo que lhes dizia. As pessoas simplesmente não querem saber, são desconfiadas, estúpidas e arrogantes ao ponto de chegar a dizer: " Antes em animais do que em mim". (Digo isto com muita convicção, penso que pessoas que ignoram até o que a ciência decretou como pouco eficaz, e ineficiente, são simplesmente estúpidas)

            O meu Gigantone come carne, aliás são poucos alimentos que come para além de tal, confesso que há dias que me incomoda um pouco, mas ele também me vê a comer legumes recorrentemente e nada diz, a menos que o cheiro lhe cause algum transtorno. É claro que já tivemos uma discussão ou outra sobre os nossos princípios éticos mas daí a deixa-lo por que ele come carne (seria limitador).

(Bem foi isto que se ecreveu no pequeno ideasonpaper e por aqui fico)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

(Passatempo)

Este post foi escrito durante o jogo do vitória de Setúbal-Benfica que decorreu no sábado, e como não gosto de futebol puxei do ideasonpaper e comecei a escrever, não foi o Cardozo e o seu falhanço que me entusiasmaram. 

          Hoje estamos no bar da associação académica da UC, e ao olhar á minha volta deparo-me com a diversidade de tribos urbanas que povoam o pequeno espaço para tal diversidade.
O preconceito, como é tão humano, não me passa ao lado, não que tenha problemas raciais, sexistas, ou de qualquer outro tipo, o meu limite da tolerância acaba nas pessoas preconceituosas.

Vivo o preconceito contra os preconceituosos.

          O preconceito educa-nos, faz-nos distinguir o bom do mal, limita a nossa visão a cores, faz-nos ver a preto e branco, abandonando a área intermédia do colorido. E como viverão pessoas com preconceitos crassos? Imagino como será a educação que um skinhead, ou um apoiante fervoroso do PNR, ou mesmo um homem comum que considere que a posição social da mulher se limite a casar e servi-lo (anacrónico, não?)
         A vida deste tipo de gente que vive no extremo da discriminação/ segregação ficou influenciada com a era da internet, assim como os restantes mortais, e desta coisa gira mas já gasta que é a globalização. Se por um lado conseguem encontrar e confraternizar com os seus pares, por outro os seus rebentos são mais facilmente desviados da orientação paternal de um modus vivendi duvidoso. A ver que há desenhos animados, programas, publicidade institucional, campanhas em prol da aceitação da diferença.
         Já imaginaram o trauma de um PNRiano ao ir buscar o filho aio infantário e deparar-se com o dito a falar com um cabo verdiano, que tipo de repreensão lhe dará?
"Hoje não brincas com os Legos, sempre disse que eram uma má influencia para ti, a tua mãe!!!!": "O Obama vem te comer", "Durante uma semana vais ler a Mein Kampf para te lembrares o que somos"
          A existência de neo-nazis nacionais sempre me intrigou.
(continue)